terça-feira, 1 de março de 2016

Novo megatemplo ilustra disputa de igrejas em SP para 'mostrar poder'


Caminhões retiram terra de terreno para Templo da Graça no Bom Retiro (em cima); Templo de Salomão (embaixo à esq) e Santuário de Aparecida (à dir) estão entre megatemplos de SP

Felipe Souza | Da BBC Brasil em São Paulo

Caminhões passam o dia tirando terra de um terreno de 29 mil m² - o equivalente a três campos de futebol - na marginal Tietê, uma das principais artérias do trânsito de São Paulo. As dimensões da obra lembram a construção de um estádio de futebol, mas trata-se de mais um templo religioso de grandes dimensões na capital paulista.

O Templo da Graça, da Igreja Internacional da Graça de Deus, no Bom Retiro (na região central), terá capacidade para 10 mil pessoas sentadas, a mesma do Templo de Salomão, inaugurado pela igreja Universal em 2014 no Brás, também no centro. A igreja da Graça é liderada por Romildo Ribeiro Soares, conhecido como Missionário RR Soares, e cunhado do bispo Edir Macedo - líder da Universal.

"Vamos fazer uma coisa bonita, para a glória de Deus", disse RR Soares durante um programa no qual anunciou o início da megaobra. O lançamento da pedra fundamental da construção contou com a presença de figuras importantes da igreja e políticos, como o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).

O projeto para a construção demorou oito anos para ser aprovado e pegou de surpresa até mesmo membros da alta cúpula da atual gestão da prefeitura, que desconheciam o início da obra, aprovada por técnicos.

O Estado de São Paulo já tem ao menos outras cinco megaconstruções religiosas (veja lista abaixo), como o santuário católico Theotokos - Mãe de Deus, idealizado pelo padre Marcelo Rossi e projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake, com capacidade para até 100 mil pessoas em Interlagos (zona sul) - e a Cidade da Glória de Deus, em Guarulhos (Grande SP), que comporta até 150 mil fiéis.


Disputa
O professor titular de ciências da religião da PUC-SP Jorge Claudio Ribeiro disse que as igrejas constroem megatemplos para ganhar mais credibilidade.

Igreja da Graça começa a construção de um megatemplo para 10 mil pessoas em São Paulo

"Um vai imitando o outro dentro desse campo religioso para não ser visto como uma liderança de segunda classe. Se uma religião tem um templo, a outra quer um também. O mesmo acontece se uma delas tem espaço na televisão, filme, novela, etc", afirmou.

Se o cara está falando que você vai ficar rico, é incoerente ele ter uma igrejinha
Rodrigo Franklin, professor de pós-graduação em ciências da religião no Mackenzie

Ribeiro aponta que São Paulo tem muitos megatemplos porque há público para enchê-los. Para ele, isso demonstra uma disputa entre as igrejas para provar ao seu público quem tem mais poder - e tem o efeito de transformar a capital paulista em um ponto de turismo religioso.

A inspiração para o gigantismo dos templos vem, segundo Ribeiro, da própria Igreja Católica.

"O catolicismo fez isso durante milênios, com a basílica de São Pedro, o barroco. Os evangélicos do século 21 estão aprendendo com os católicos porque viram que aquela foi uma experiência mais bem-sucedida. Outros exemplos disso são a Marcha para Cristo, imitando as procissões", disse.

Para o professor de pós-graduação em ciências da religião no Mackenzie, Rodrigo Franklin, essas obras demonstram uma mercantilização da fé.

"Vemos algo bem diferente do antigo cristianismo tradicional, que pregava como prioridade o sacrifício, o amor ao próximo. Hoje, os fiéis buscam autoajuda, quer ser rico agora, então ele não quer mais a pequena comunidade. Se o cara está falando que você vai ficar rico, é incoerente ele ter uma igrejinha. Se o pastor quer mostrar que o poder dele é real, ele vai continuar construindo coisas extravagantes", afirmou Franklin.

Segundo Franklin, construir templos cada vez maiores é uma tendência mundial, na qual se destacam o Brasil e os Estados Unidos. "Na Antiguidade, grandes templos eram sinal de poder e autoridade. Hoje, é uma competição. No contexto de São Paulo, é uma questão de mercado porque é uma cidade rica e tem de tudo", disse.

Image copyrightFelipe Souza BBC Brasil
Obras do novo mega-templo de São Paulo podem ser acompanhadas ao vivo pelo site da Igreja da Graça

Para ele, essa "disputa" é uma forma de ostentar e mostrar o poder de cada líder religioso, já que "eles estão competindo pelo mesmo público".

Estrutura
O projeto aprovado pela Prefeitura de São Paulo prevê uma área construída total do Templo da Graça de 68 mil m². Serão dois prédios: um de quatro andares com dois subsolos e outro de nove andares com dois subsolos, onde está prevista a construção de um templo e um edifício-garagem.

O novo centro religioso ainda terá um anfiteatro, heliponto, sala para crianças e locais destinados para casamentos e batismos. A BBC Brasil apurou, porém, que a Igreja Internacional da Graça de Deus enviou um pedido à prefeitura para fazer uma alteração no projeto do prédio onde está previsto um estacionamento.

A reportagem não teve acesso às alterações que a igreja pretende fazer no local. O pedido ainda está em análise pela área técnica da administração municipal.

Assim como os últimos grandes estádios construídos na capital paulista, o Allianz Parque e a Arena Corinthians, o Templo da Graça tem uma câmera ligada na frente do terreno para que os fiéis possam acompanhar a evolução da obra.

Tudo pode ser acompanhado, durante o período em que a luz do dia ilumina o terreno, pelo site do Templo da Graça. Não há a informação de quanto a obra vai custar nem qual a previsão para ser inaugurada.

Procurado, RR Soares negou os pedidos de entrevista da BBC Brasil e disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que "ainda não é tempo de falar sobre o templo". Representantes da Rogui Engenharia, responsável pela construção, também se negaram a falar com a reportagem.

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Megatemplos do Estado de São Paulo:

Cidade Mundial dos Sonhos de Deus
Inaugurado em 2011 em Guarulhos, na Grande São Paulo, o megatemplo da Igreja Mundial do Poder de Deus está entre os maiores do mundo, com capacidade para 150 mil pessoas em um espaço de 240 mil m².

Uma programação de 24 horas de transmissão de cada uma das principais reuniões, além de programas, notícias e entretenimento diferenciado, propagam a mensagem do Evangelho não apenas dentro do território nacional, mas também em outros países, onde o trabalho ministerial se encontra presente.

Basílica de Nossa Senhora Aparecida

Image copyrightMarcelo CamargoABr
Área interna da basílica de Aparecida abriga 30 mil pessoas; capacidade para celebrações na área externa é de 300 mil (Foto Marcelo Camargo/Abr)

Localizada na cidade de Aparecida, a 180 km da capital paulista, a Basílica de Nossa Senhora Aparecida recebe mais de 12 milhões de pessoas por ano. O principal ponto brasileiro de peregrinação católica tem uma área de 1,3 milhão de m², sendo 143 mil m² de área construída.

A área interna da basílica abriga 30 mil pessoas. A capacidade para as celebrações na área externa é de 300 mil.

O local ainda possui um estacionamento com mais de 6.000 vagas, sendo 2.000 delas apenas para ônibus e 3.000 para carros. Há ainda um centro de compras com 380 lojas.
Leia também: Japoneses relatam aparições de espíritos em área devastada por tsunami

Templo de Salomão

Construção de Templo de Salomão tem 74 mil m² de área construída e altura equivalente a um prédio de 18 andares

A mais nova grande construção religiosa de São Paulo, o Templo de Salomão, foi erguido pela Igreja Universal do Reino de Deus por R$ 680 milhões. A construção tem 74 mil m² de área construída e altura equivalente a um prédio de 18 andares.
O templo é uma réplica do que foi destruído em Jerusalém há mais de 2.000 anos. Sua inauguração teve a presença da presidente Dilma Rousseff (PT).

Templo da Glória de Deus
Inaugurado no primeiro dia de 2004, o templo localizado na avenida do Estado, no centro de São Paulo, tem capacidade para 60 mil pessoas. O prédio, comprado por R$ 200 milhões à época pela Igreja Pentecostal Deus é Amor, passou por uma reforma nos últimos anos.
Fundada em 1962, atualmente há 22 mil igrejas Deus é Amor no Brasil, além de unidades em outros 136 países.

Santuário Theotokos - Mãe de Deus
Projetado pelo arquiteto Ruy Ohtake, o santuário idealizado pelo padre Marcelo Rossi tem capacidade para 100 mil fiéis em um terreno de 20 mil metros quadrados em Interlagos, na zona sul de São Paulo.

O santuário tem 500 banheiros e 2.000 vagas de estacionamento.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Zika-Microcefalia: epidemia ou fraude abortista?


por Cristian Derosa

A comunidade científica tem ficado a cada dai menos confiável. É só ver as previsões catastróficas do aquecimento global e neve acumulando-se no Hemisfério Norte.

Agora a Fiocruz arrumou-se. Ganhou financiamento milionário para auxiliar no desenvolvimento de vacina contra o Zika em conjunto com os Estados Unidos. E os suspeitos de terem contraído o zika vírus ganharão bolsa por causa da consequência imediata e aparentemente inevitável: a microcefalia. Claro que isso será feito após uma investigação. Mas a GloboNews corre na frente e recomenda: se você teve o zika e estiver grávida, corra para se inscrever no benefício. Oferecendo bolsa, quem agora vai duvidar que estamos diante de uma epidemia inevitável e seríssima?

Acontece que os casos relacionando zika e microcefalia são pouquíssimos, tendo sido descartados mais de 400 casos, deixando como evidência desta suposta relação, apenas 200 casos. Os 1.400 casos alarmados na imprensa são, na verdade, apenas o montante de casos suspeitos para análise. A confusão é tamanha que até a OMS pediu maior transparência nos números fornecidos pelo Brasil. Fica a cada dia mais evidente a contradição entre a incerteza dos médicos e a certeza quase fanática da imprensa.

Desde o início, diante da mera suspeita de relação entre o mosquito e a microcefalia, os números de casos suspeitos da deformação já eram amplamente divulgados, portanto tratados pela mídia como certos. Esta é a marca inconfundível de uma fraude, como foi e tem sido no aquecimento global: a elevação de suspeita à certeza e a exploração do medo. Em seguida, vem a solução proposta: uma vacina que levará 4 anos para ser desenvolvida. Enquanto isso, corre dinheiro para verbas milionárias de pesquisa. Eis o porquê de não haver praticamente nenhuma voz médica chamando a atenção para as centenas de suspeitas que pesam sobre a questão.

Uma coisa é a suspeita de fraude, que cresce a cada vez que a imprensa decide falar do assunto, tanto pela incongruência das informações, quanto pela insistência e sensacionalismo das matérias. Outra coisa são as hipóteses de fraude, que são muito difíceis de saber. No momento, quase todas parecem verossímeis, mas difícil conciliar todas elas. Cada uma delas necessitaria de uma investigação aprofundada.

A primeira delas é o lote de vacina da Rubéola, que teria sido aplicado à população sem o devido cuidado (segundo alguns, a data de validade). A rubéola, como se sabe, causa má formação no feto e pode ter sido acobertada devido o volume monstruoso de indenizações que ocasionaria.

Outros chamam a atenção para a recente determinação da Anvisa que ocasionou a diminuição do índice de iodo na água. A falta de sódio na gravides é uma das causas de malformações.

Outra suspeita gira em torno do mosquito geneticamente modificado, criado pela empresa britânica Oxitec, que foi contratada pelo governo brasileiro. A contratação envolve uma série de irregularidades, havendo inclusive alegações de que "atendeu a mais objetivos políticos do que técnicos". Um dos acionistas da empresa é o conhecido eugenista Bill Gates, que já falou publicamente em utilizar mosquitos geneticamente modificados para reduzir a população da Terra.

Por cima de tudo isso está a clara intenção de utilizar a situação para fomentar o aborto. Já que o STF aprovou o aborto de anencéfalos, seria a hora dos microcéfalos. Quanto a essa questão (que não indica necessariamente como foi armada a fraude) há também inúmeras evidências de comprometimento com a causa abortista. Isso pode ser evidenciado com uma simples análise das fontes das matérias jornalísticas sobre o assunto, nas quais há inúmeros médicos ligados a laboratórios assumidamente favoráveis à ampliação das leis de aborto no país.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Quais são os 10 países em que os cristãos foram mais perseguidos em 2015?


World Watch List: o índice de perseguição anticristã aumentou 2,6% no mundo

Gelsomino Del Guercio | Aleteia

A perseguição contra os cristãos no mundo cresceu 2,6% em 2015, de acordo com a World Watch List 2016, publicada pela organização humanitária Open Doors (Portas Abertas). Entre novembro de 2014 e novembro de 2015, foram assassinados 7.100 cristãos, contra 4.344 no ano precedente. Também cresceu o número de igrejas atacadas: foram mais de 2.400, contra 1.062 em 2014 (Tempi.it, 13 de janeiro).

COMO ACONTECE A PERSEGUIÇÃO

A World Watch List elenca os 50 países em que é mais intensa a perseguição sofrida pelos cristãos especificamente por causa da prática da sua fé. São examinadas seis áreas da sua vida:

- o âmbito privado,
- a família,
- a comunidade em que residem,
- a igreja que frequentam,
- a vida pública do país em que vivem
- o grau de violência que padecem.

Quanto maior a “pontuação” resultante dessas variáveis, maior é a perseguição sofrida (OpenDoorsUSA.org, 13 de janeiro).


A LIDERANÇA DA COREIA DO NORTE

No topo da lista pelo décimo quarto ano consecutivo permanece a Coreia do Norte, dominada pelo ateísmo de Estado. O líder Kim Jong-Un se opõe violentamente a qualquer ideologia ou crença diferente do pensamento do regime comunista (Agensir, 13 de janeiro).

Os cristãos na Coreia do Norte procuram esconder a sua fé tanto quanto possível para evitar a prisão e a deportação para os campos de trabalhos forçados; mesmo assim, estima-se que entre 50 mil e 70 mil cristãos estejam ou presos ou forçados a trabalhos braçais nesses campos de concentração.

PAÍSES MUÇULMANOS E GOVERNOS INSTÁVEIS

Depois da Coreia do Norte, figuram entre os dez países onde a perseguição é mais grave o Iraque, a Eritreia, o Afeganistão, a Síria, o Paquistão, a Somália, o Sudão, o Irã e a Líbia. A maioria dos países do ranking são predominantemente muçulmanos e quase todos se caracterizam por uma situação política instável.

O MACABRO DOMÍNIO DA NIGÉRIA

Embora não esteja entre os dez países que mais perseguem cristãos, a Nigéria foi, em 2015, a triste “campeã” na quantidade absoluta de cristãos assassinados: 4.028, de um total mundial de 7.100. Sozinha, portanto, a Nigéria somou mais mortes do que todos os outros 49 países juntos. O segundo lugar é ocupado pela República Centro Africana, com 1.269 mortes. Até o sétimo lugar, todos os países são africanos: Chade, República Democrática do Congo, Quênia, Camarões e Líbia.

A SURPRESA DA COLÔMBIA, DA TURQUIA E DO MÉXICO

Entre os países “inesperados” no ranking, observa a Agensir, surpreendem o México em 40º lugar, a “ocidentalizada” Turquia em 45º e a Colômbia em 46º. A Colômbia é formalmente um país democrático em que é garantida a liberdade religiosa, mas existem grandes áreas sob controle do crime organizado e de grupos paramilitares ditos “revolucionários”: um contexto em que a impunidade é a norma. No caso mexicano, a perseguição afeta os cristãos que tentam melhorar uma realidade social corrupta e manipulada, além de brutalmente impactada pela violência do narcotráfico.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Lírica, bíblica, existencial: Aos 80, Adélia Prado reflete sobre o mundo

Escritora reúne obra poética com a nova antologia ‘Poesia reunida’

por


Adélia Prado, que vive reclusa em Minas, está no Rio para lançar um livro de poesia - Mônica Imbuzeiro

RIO - No dia 9 de outubro de 1975, Carlos Drummond de Andrade escreveu uma crônica no “Jornal do Brasil” elogiando uma poeta de Divinópolis, professora, mãe de cinco filhos, cujos versos ainda inéditos acabavam de cair em suas mãos: “Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo”. Era Adélia Prado, que naquele mesmo ano conseguiu publicar o primeiro livro, “Bagagem”. Desde então já lançou outros 15, teve livros traduzidos para o inglês e o espanhol e inspirou um sem-número de teses acadêmicas, trabalhos que costumam tatear a aproximação feminina e religiosa de sua obra. Às vésperas de completar 80 anos, Adélia ganha nova antologia de sua obra poética na edição de luxo “Poesia reunida” (Record). Para celebrar a data do aniversário, em 13 de dezembro, O Globo propôs à poeta que algumas perguntas desta entrevista — na qual se mostra contrária ao movimento feminista que ganha força nas ruas nos últimos meses e, principalmente, contra o aborto — fossem inspiradas em seus próprios versos.

Dói-lhe a cabeça aos 80 anos?
Quando fiz o verso doía mais. Muitas coisas se amansam com a velhice.

A senhora ainda cavuca abacaxis apodrecidos/ como quem procura um veio são?
Cada vez mais. E não só abacaxis. Cavuco mais em mim mesma.

O que ainda vê embaixo da saia da poesia?
O mesmo que vi da primeira vez: sedução, uma promessa fortíssima e maravilhosa de que a vida não morre e o que chamamos beleza. É pálido reflexo das maravilhas que nos aguardam.

No seu armário há mais tempo ou traça?
O vestido que eu amava virou poesia. Me desfaço com mais facilidade dos meus apegos. Olhar as coisas poeticamente nos ajuda. Elas se vão, fica a poesia, que não morre.

Adélia Prado em 1976 - José Santos / Arquivo
Não é a primeira edição de sua obra completa. Em 1991, você não gostou muito, reagiu como se fosse uma “homenagem póstuma” em vida. E agora, como recebe essa edição?
A primeira coisa que uma obra completa me lembra é: somos mortais. Um copo de plástico dura mais que a mais longa vida. Diferentemente de 1991, quando esperneei um pouco, recebo agora a edição sem estridências, feliz e agradecida. Tem ainda um atenuante joia a meu favor, dois poemas novos. Assim escapo (Adélia preferiu não mostrá-los). Fica mais difícil me tornar veterana. Espero morrer caloura, como sempre me vejo.

Por que a poesia ainda é vista como um patinho feio entre os gêneros literários, principalmente pelas editoras?
A poesia como patinho feio é culpa da nossa “pátria educadora” e de longo tempo, onde a literatura é tratada como descartável. Faz parte do baixo clero das escolas, onde mal vicejam educação artística, religiosa e até educação física. Não merecem participar música, teatro, dança, nada que nos faça descobrir que somos humanos, necessitamos de beleza e transcendência, que precisamos de ar. Antes de nos preocuparmos com a multiplicação de feiras literárias e bienais, urge cuidarmos do feijão com arroz do estudo básico, que só acontece no primário bem feito. Ler, escrever, interpretar.

A senhora melhora quando chove?
Sim. Fico adolescente, ornada de tanajuras.

Navios ou caligrafia alheia: o que ainda lhe causa grande admiração?
Navios, aviões, não me canso de vê-los. Como é possível que naveguem e voem?

No poema “Deve ser amor” a senhora escreve que “É preciso fé/ até para cortar as unhas”.
Sem fé não se corta unhas, não se toma banho e não se peleja. No piquenique dificultoso da vida há muita beleza e alegria. O caminho é áspero e perigoso, com pousadas incríveis.


Adelia Prado em 1984 - Arquivo / Arquivo
Em “A face de Deus é vespas”, a senhora escreve: “Queremos ser felizes como os flagelados da cheia, que perderam tudo/ e dizem-se um aos outros nos alojamentos: ‘Graças a Deus, podia ser pior’”. A qual imagem a tragédia ambiental de Rio Doce a remete?
Cataclismos funcionam às vezes como purgativos. O de Mariana, somado ao turbilhão de horrores que presenciamos diuturnamente no Brasil e no mundo, soam para mim como anúncios de uma calamidade maior (a lama do Rio Doce é simbólica). O silêncio que sucede aos desastres, quem sabe, nos fará ouvir. Ouvir o quê? A resposta, ou ao menos a pergunta pelo sentido da vida. Não vejo sinais para otimismo, a não ser o que a fé oferece quando convoca a esperança no auxílio divino. Em meio a tanta treva, aguardo um renascimento na política, na igreja — como no tempo de São Francisco — de quem ele foi o grande arauto. Foi horrível a capa do “Charlie Hebdo”. O que quiseram dizer com um corpo furado de balas que vertia champagne? Não é voltando imediatamente a restaurantes e cafés e dizendo “não temos medo” que responderemos ao fogo. Agora somos chamados a um recolhimento, a um silêncio que nos permita ouvir atentamente, encontrar e admitir nossa culpa. Há necessidade de oração, conversão, volta evangélica para a vida interior, para valores esquecidos, desaparecendo sob lama, sangue e cinza. Uma comoção maior, que não se acabe com flores e velas sobre os cadáveres e fotografias sentimentais sobre filas de refugiados. Não sei o que fazer. Só uma certeza me acode: devo começar em meu coração, dentro da minha casa, a radical mudança para o amor, o perdão, a tolerância, para a atenção real para o meu próximo, o que, segundo Jesus, resume a lei e os profetas.

O movimento feminista, que cada vez ganha mais força nas ruas, reunindo milhares de pessoas em marchas, já sendo chamado de “primavera das mulheres” a anima?
Não. Homicídio tornou-se uma palavra fraca. Por que “feminicídio”? Me lembra bandeiras, discursos irados, passeatas. O assassinato de mulheres é horrível não porque é de mulheres, mas porque a mulher é também uma pessoa. Qualquer assassinato é hediondo até prova em contrário. Enquanto nos distraímos com bandeiras e neologismos, o crime segue fagueiro e impune contra homens, mulheres, crianças, velhos, povos, contra a Humanidade. Dizer “feminicídio” não muda a questão. A revolução é de outra ordem. É moral, educacional, religiosa, civil, espiritual. Supõe um país que se dê ao respeito em suas instituições, um povo educado, igrejas não mercenárias. Onde está o líder civil ou um santo que nos leve a verdes pastagens e água pura?

Qual sua opinião sobre os projetos de lei que criminalizam todo tipo de aborto, como o PL 5069?
“Não matarás”. Salvo se em legítima defesa. Como tornar legal o aborto se a criança, inocente, incapaz, dependente da mãe para viver também é titular do direito inalienável à vida? Qual vida vale mais? É bom não esquecer: a vida de qualquer um é um valor em si mesma. Se a gravidez é uma ameaça real à vida da mãe, instala-se uma situação das mais terríveis e complicadas que conheci até hoje. Faz-se aborto por miséria, desespero, vergonha e egoísmo na maioria das vezes. As leis civis e religiosas se turvam diante deste problema, antes de tudo moral, de profunda complexidade e consequência. Necessita para sua resolução muita coragem e discernimento, que nem sempre andam juntos. As legislações, reconhecendo a natureza dramática do assunto, tentam contorná-lo para resolvê-lo. A letra é fria e muitas vezes mata. Apelo ao último juiz para o qual só existe um tribunal, o da consciência. Será sempre trágico agir contra a luz desse juiz. Não há, fora da minha consciência, quem me proíba ou me libere para o aborto. Obedecer a lei — para o sim ou para o não — nunca é garantia de paz interior. Decidir pela vida é obrigação do legislador. Considero “Meu corpo, minhas regras” uma empáfia, militância, cunha para extrair variadas vantagens, inclusive a tentativa de descartar a consciência com aval político.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Nazistas riem lá no inferno da militância fanática em favor do aborto

Por Reinaldo Azevedo/Jovem Pan
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fonte: Cris Faga/Fox Press Photo/Folhapress

Catedral da Sé é pichada por feminázis, Igreja emite nota de protesto, e militante que se diz feminista reclama da... vítima!!!

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É asqueroso! As feminázis que marcharam na sexta-feira contra Eduardo Cunha e contra os fetos — esses elementos perigosos e perversos, que tornam infeliz a humanidade — estão perdendo a noção do ridículo. A de Estado de Direito, bem, essa, elas nunca tiveram.

A Catedral da Sé amanheceu pichada com frases como “Útero livre”, “Aborto sim” e “Se o papa fosse mulher, o aborto serial legal”. Tratarei da questão em duas dimensões: 1) a agressão à catedral; 2) o mérito das frases.

Diga-se o óbvio: pichar a catedral é um crime de duas naturezas. Trata-se de vilipêndio a um símbolo religioso — ninguém é obrigado a ser católico, claro!, mas ninguém tem licença para agredir a religião alheia — e de uma agressão ao patrimônio histórico. Jovens católicos se organizaram para limpar a sujeira. O cardeal Dom Odilo Scherer se deixou fotografar com cartazes em defesa da vida. Muito bem, sigamos.

A Folha ouviu uma senhora chamada Jaqueline Vasconcellos, de 35 anos, uma das organizadoras do protesto. Ela não é burra. Afirmou ser contrária à pichação, mas disse o que costumam dizer as esquerdas intelectualmente delinquentes quando seus extremistas saem quebrando tudo por aí: não tem como controlar milhares de pessoas. Lembro, a título de exemplo, que as três maiores manifestações políticas da história, aquelas em favor do impeachment, não juntaram nem lixo na rua. Aliás, na passeata das feminázis, na sexta, havia os mascarados de sempre, vestidos de preto.

A Arquidiocese divulgou uma nota de protesto contra a pichação, e Jaqueline, ora vejam, não gostou e afirmou a seguinte pérola: “Fizemos uma manifestação legitimada pela sociedade e entendemos o ato da Igreja [de emitir a nota] como tentativa de tirar o foco da sociedade da discussão do PL 5069/2013]”.

Que graça esta senhora! Sobre as mentiras que as feminázis andam espalhando a respeito do PL, falo em outro post. Quero me ater à fala da tal organizadora da marcha. Então a catedral é pichada, agredida, vilipendiada, mas a Igreja deveria ficar calada porque dona Jaqueline acha que, se a vítima reage, tira-se o foco de sua manifestação? Ela também é contra que um cardeal expresse a sua opinião. E por quê? Ora, porque ela se diz, como é mesmo?, “legitimada pela sociedade”. É??? Qual? A sociedade do PT? A sociedade do PSOL? A sociedade do PSTU? A esmagadora maioria da sociedade brasileira é contra o aborto. Quem legitima Jaqueline?

Eu digo: a liberdade de expressão! Ela defenda o que quiser. Mas não venha se apresentar por aquilo que não é: maioria. Mas posso compreender essas almas puras: na sexta-feira, um grupo de femininazistas acompanhadas de uma moça barbuda e peluda afirmou que eu deveria ser proibido de entrar num bar. Afinal, não sou feticida como elas, incluindo a moça barbuda.

Agora o mérito
Das frases pichadas na Igreja, só uma faz sentido na sua brutalidade: “Aborto sim”. O resto é lixo também como denotação. O que quer dizer “Útero livre”? Quem, hoje, no Brasil, aprisiona o útero da mulher, que tem direito a anticoncepcional de graça, camisinha de graça e pílula do dia seguinte de graça?

Vou ser ainda mais claro: se não quiser ou não puder recorrer a nenhum outro método contraceptivo — como o DIU, por exemplo —, o estado fornece à mulher, sem a necessidade da intervenção masculina, duas defesas à concepção, que podem ser usadas de forma conjugada: pílula e camisinha. Se ela as dispensar e houver risco de gravidez, há a pílula pós-coito.

Pensemos mais um pouco: um útero deve ser de tal sorte livre que o homem não deva nem mesmo opinar sobre o aborto, ainda que seja o pai da criança? Se ele está proibido de tentar impedir a mulher de abortar, por que deveria, então, ser responsável pela criança caso ela venha a nascer? No país da paternidade irresponsável, que atinge os pobres, essa é uma boa causa?

A frase sobre o papa é de uma estupidez ímpar. A Igreja Católica tem sua opinião sobre aborto, mas, obviamente, não impõe a sua vontade a nenhum país — não conseguiu evitar a legalização da prática nem na Itália. Afirmar que a interrupção da gravidez seria legal no Brasil se o papa fosse mulher sugere, o que é uma mentira deslavada, que todas as mulheres são favoráveis ao aborto. Pesquisa Ibope de 2014 demonstra que 79% dos brasileiros são contrários à legalização do aborto, e a rejeição é igual entre homens e mulheres — entre os jovens, diga-se, chegou a 77%.

Feticídio e feminicídio em massa
No país que aprovou a demagógica lei do feminicídio — grave é matar seres humanos, e cerca de 95% do assassinatos (prestem atenção!!!) no Brasil têm homens como vítimas —, marchar em favor do aborto e acusar o papa é expressão de delinquência moral, ética e intelectual.

Há um país que poderia ser considerado o paraíso das feminázis: a China. Por lá, aborta-se como quem diz “olá” (na língua local). Na soma da política de estado do filho único com a tradição cultural de que o homem, nunca a mulher, cuida dos pais quando velhos, o ultrassom se tornou uma poderosa arma de feminicídio – aí, sim: a esmagadora maioria dos abortos no país é de fetos do sexo feminino. E, claro!, eliminam-se preventivamente os casos de síndrome de Down, entre outras variações que podem ser detectadas em exames pré-natais.

Acho bom o nome “feminázi” não apenas como referência à crueldade da prática e ao sectarismo das militantes. Há mais. À medida que avança a pesquisa genética e que exames de imagens vão se tornando mais precisos, é claro que, não tardará muito, se terá a ficha com as doenças em potencial que poderá ter o indivíduo em gestação. Com o aborto legalizado, num primeiro momento, caberá aos pais fazer ou não a escolha do “filho perfeito”. Mas é claro que alguém terá a ideia de indagar se é justo com a sociedade trazer ao mundo pessoas que darão despesas ao estado. E, sim, dar à luz indivíduos perfeitos pode virar uma política oficial.

Os nazistas, por óbvio, vão dar um risinho. Lá no inferno.